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sábado, 6 de março de 2010

Das constipações e pouco mais


Estou constipada. Não, não se alarmem. Não desatem a fechar a janela do blog à pressa. Não vale a pena avisar os serviços de Saúde Pública. Estou vacinada contra a gripe A há quase 2 meses e os sintomas não condizem.
Detesto perder a conta aos lenços que já gastei hoje. Detesto sentir que a minha cabeça é um enorme balão que pesa toneladas. Detesto o nariz à Rudolph. Detesto o imenso que calor que logo a seguir são arrepios de frio, mesmo sem febre. Apesar do momento engraçado em que um doente me desejou as melhoras, hoje tou com um humor de cão.
Com este espírito ninguém diria que sou médica, mas a verdade é que sou uma má doente. Ou se calhar as duas coisas até estão ligadas... O que vale é que dentro de dias isto vai ao lugar e pelo menos o mau humor não é contagioso. Infelizmente os verdadeiros doentes nem sempre têm essa sorte... A esses peço desculpa pelo desabafo. Mas que valha o facto de todos os dias, com a realidade que me deparo, dar cada vez mais valor à vida e à saúde, mesmo com estas constipações que nos chateiam...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sobre a ausência e não só

Tenho estado ausente. Falta-me a vontade de escrever. Falta-me o tempo. Faltam-me assuntos para escrever. A culpa é minha, mas seria fácil empurrá-la para cima de um livro cujo nome começa por H e um exame que é daqui a menos de um mês. Não tomei uma decisão quanto ao futuro do blog porque espero que um dia (talvez já daqui a uns meses, quando voltar ao trabalho) volte a ter vontade de escrever e muitas histórias para partilhar. Por outro lado continuo fiel aos blogs que sigo, alguns dos quais estão referidos aqui ao lado. Embora, como é habitual em mim, sejam na maioria das vezes visitas silenciosas, embora não menos sentidas. Entretanto ontem houve um telefonema que me deixou feliz e me deu vontade de escrever de novo. Já estou inscrita no Registo Português de Dadores de Medula Óssea há cerca de ano e meio. Ontem ligaram-me. Há uma possível compatibilidade entre mim e um doente. Agora vão seguir-se mais testes, cujos resultados ditarão se poderei ou não ajudar esta pessoa. Espero que sim. E espero, acima de tudo, poder ajudar muitas pessoas num futuro próximo, quando voltar a vestir a bata branca. Espero ter os conhecimentos, a coragem e o talento que vejo nos meus amigos, colegas e em colegas mais velhos que aprendi a admirar ao longo destes 6 anos. Características que também transparecem em blogs de alguns colegas, que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente (sim Sahaisis, esta parte também é para ti). E por agora resta-me regressar à minha luta do momento, para que estas aspirações possam ficar mais perto da realidade.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Noite da Medicina 2008

Que saudades!!! Não quero ser chata - mas para quando o DVD?






sábado, 4 de julho de 2009

O último dia de estudante...

03 de Julho de 2009 - Depois de 6 anos na Faculdade (e 18 de escolaridade) cheguei ao fim dos meus dias de estudante... E apesar de haver motivos de celebração hoje o meu sentimento dominante é a Nostalgia. Estes 6 anos como estudante de Medicina, com todos os seus altos e baixos, os (GRANDES) amigos, os colegas mais novos e mais velhos, os Professores, Médicos, Tutores, os Enfermeiros, os Auxiliares, os Doentes, o mês na Suécia, os 6 meses de Erasmus em Paris... - todos eles contribuíram para a Pessoa que sou hoje e para a Médica (!!!) em que me tornei.

Bem sei que a caminhada profissional mal vai no início, mas acho que vou recordar este dia por muito tempo... Desde o acordar, o caminho para o Hospital, a última doente vista, o lanchinho no serviço, o "almoço" com alguns dos amigos, a tarde que dediquei a mim, as flores dos pais... até à escrita deste post, que finalmente libertou as lágrimas que andaram presas na garganta o dia todo...

terça-feira, 14 de abril de 2009

A Medicina reserva-nos muitas surpresas...




Desta não estava à espera.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

No hospital...

Hoje a Dona C. teve alta. A Dona C. tem, como é habitual no serviço onde estou agora, uma série de problemas. 2 tumores malignos, um dos quais já não responde à terapêutica, tendo-se espalhado irreversivelmente para os órgãos e estruturas da vizinhança. Isso condiciona, entre outras coisas, uma algaliação crónica. A Dona C. foi internada no dia em que eu comecei este estágio, com uma infecção urinária, desidratação e hiponatrémia. Fomos resolvendo, pouco a pouco, os problemas que a levaram a ser internada, assim como outros que surgiram durante o internamento. Habituei-me a ir observá-la todos os dias, mas mais do que isso, a conversar com ela. Porque embora ela diga o contrário, a Dona C. continua muito lúcida e é uma óptima companhia. Hoje a conversa com a Dona C. chegou ao tema da morte. E eu surpreendi-me a mim mesma e não tive receio de abordar o tema, de falar dos medos e dos desejos dela. Ela manifestou o desejo de ver um Padre, apesar da sua morte não estar eminente. O Padre veio, conversou com ela, deu-lhe a extrema-unção, mas acima de tudo deu-lhe força. E à tarde, quando me fui despedir dela, a Dona C. estava mais animada. Acima de tudo hoje aprendi imenso com a Dona C. E sei que amanhã vou sentir falta de conversar com ela.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Noite da Medicina 2008 - o rescaldo!

Aos 15 dias do mês de Outubro do ano da graça de 2008 o curso 2003-2009 da Faculdade de Medicina de Lisboa conseguiu encher o Coliseu de Lisboa, com colegas da Faculdade, amigos e familiares e realizar a melhor Noite da Medicina de todos os tempos :D! Estamos todos orgulhosos, cruzamo-nos e damos os Parabéns uns aos outros, partilhamos mails e comentários de quem viu e acima de tudo estamos cheios de boas memórias da noite de ontem. Valeu a pena todo o tempo investido, os trabalhos manuais, a costura dos figurinos, o suor dos ensaios, o stress da contagem decrescente... Os pais e amigos gostaram de todas as performances, reconheceram-nos à distância e até perceberam as piadas! Acima de tudo divertimo-nos imenso, tanto no "before" mas especialmente na própria Noite da Medicina. Confesso que já tenho saudades de tudo!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

:)

Hoje mais uma vez ficou provado que o melhor das boas notícias é partilhá-las com os amigos :D! A vossa reacção, o vosso apoio vão-me ficar sempre na memória! Obrigada!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Recepção aos caloiros

Desde segunda-feira que tenho andado nas actividades de recepção ao caloiro. Já não me lembrava o quanto gosto deste tempo, da animação, dos jantares, conhecer novas pessoas... A comissão de recepção ao caloiro deste ano está de PARABÉNS! Principalmente pela novidade de ontem, em que transformámos uma parte da praxe numa acção de solidariedade. Levámos os caloiros, voluntariamente, até ao Cais do Sodré, onde foi organizada uma acção de sensibilização para angariar novos dadores de medula óssea. Foi um sucesso! Em 3 horas conseguimos angariar 100 novos dadores, entre anónimos que passavam na rua e entre os próprios estudantes de Medicina. Eu estou inscrita como dadora há cerca de 4 meses e adorei participar na iniciativa! Até dei entrevistas (aqui e aqui), entre as várias notícias públicas sobre a acção (aqui, aqui, aqui )! Depois seguiram-se o baptismo dos caloiros e o jantar dos Padrinhos, mas isso fica para o próximo post =)!







domingo, 21 de setembro de 2008

Noite da Medicina 2008

Vem aí ;)!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mais vale tarde do que nunca

Já que não pude assistir ao vivo à Noite da Medicina 2007 ao menos hoje vi o vídeo de participação do meu ano:

Parte 1



e Parte 2



Muito fixe, Parabéns pessoal =)!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Preocupação

Esta notícia do Sol deixa-me preocupada... Especialmente na parte em que a Ministra diz que a resolução do problema da falta de médicos no sector público (devido, em grande parte, à saída de muitos para o sector privado) passa por: "Aumentar progressivamente o número de alunos nos cursos de medicina (...)", entre outras coisas.

Pois bem, desde que entrei na FML que as vagas têm vindo progressivamente a aumentar. Se nos primeiros anos o número crescente de alunos não é problema (apesar de quase não haver anfiteatros com capacidade para todos os alunos de um ano, cerca de 300), a grande questão coloca-se nos anos clínicos (principalmente 4º e 5º). Já eu e os meus colegas nos debatemos com o facto de sermos muitos alunos e haver poucos docentes/locais para as aulas práticas, o que culmina num ratio aluno/docente francamente mau: entre o mínimo de 4/1 até um máximo de 12/1 em algumas disciplinas! (Já para não falar que às vezes os assistentes que existem estão pouco ou nada interessados no ensino... Ainda bem que há excepções!) Acredito que este facto prejudica o ensino da Medicina, não só por não nos permitir usufruir da prática tão necessária para a nossa formação, como por significar, cada vez mais, uma invasão da privacidade dos doentes... Alguém acredita que seja possível uma colheita adequada de uma história clínica com 6 estudantes de volta de um doente?

Assim, fico preocupada com esta notícia. Porque acredito que antes de se permitir a abertura de mais vagas para os cursos de Medicina (que acredito ser relativamente fácil para os directores das faculdades, sempre significam mais uns "trocos") é necessário assegurar a qualidade do ensino, assegurando mais docentes, não só nos anos básicos, mas principalmente nos anos clínicos. Acredito que são necessários e devem ser feitos, acordos com novos hospitais para permitir o ensino, e que esses acordos têm de ser feitos agora e não apenas quando se verifica não haver vagas para todos os alunos...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Inquéritos

Isto de fazer inquéritos para um trabalho tem muito que se lhe diga... Por exemplo, descobre-se que existem doentes "epiléctricos"! :D

sábado, 17 de maio de 2008

Psiquiatria II

Isto passou-se no corredor de uma das alas de internamento de psiquiatria, entre 3 estudantes de Medicina que estavam de passagem e um doente (os nomes foram alterados).

Doente (aproxima-se de uma das estudantes e diz) - Tens um rabo de cavalo muito giro!
Estudante 1 - Ah, obrigada!
Doente - Como é que te chamas?
Estudante 1 - Isabel.
Doente (estendendo a mão) - Eu sou o Pedro, muito prazer.
Estudante 1 (apontando para o estudante 2) - Ele também se chama Pedro.
Doente - Estou a ficar com ciúmes... Mórbidos!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Psiquiatria

"Entram-me em casa, mijam-me nos tachos..."



"Comprei um edifício com 11,5 metros de pé direito, para fazer um centro comercial com dois andares para depois o vender ao Belmiro de Azevedo."



"Às vezes sinto-me um super-sumo."



"O que acham de um bipolar como eu ser um profundo conhecedor da Europa?"


"Qual das minhas duas esposas?"


"Tenho um radiotransmissor na testa, basta sintonizar o canal 8 e podem ouvir os meus pensamentos."

terça-feira, 22 de abril de 2008

Boa companhia

Eu continuo a fazer histórias clínicas... Mas ao menos tenho boa companhia:

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Histórias Clínicas

Todos os estudantes de Medicina anseiam por chegar aos anos clínicos. Mal sabem é que há outro desafio a enfrentar quando esta meta é finalmente alcançada: as histórias clínicas. São, sem dúvida, um dos principais métodos de aprendizagem clínica, mas por vezes colhê-las e escrevê-las consegue ser bastante frustante.

Hoje aconteceu-me uma situação destas, mais uma vez. Chegámos ao pé do doente, muito simpático e conversámos com ele, fazendo todas aquelas perguntas que é suposto, o que se passou agora, os antecedentes pessoais e familiares e até a exaustiva história clínica. Depois seguiu-se o exame objectivo, sempre com o doente muito colaborante, mesmo quando nós quase o virávamos do avesso.

Depois da história colhida fomos até à sala dos médicos. O nosso assistente estava com os alunos do 6º ano e os internos a discutir os vários doentes. O pior foi quando chegou a vez de discutirem o "nosso" doente: parecia que estavam a falar de um doente complentamente diferente, tal era a diferença das queixas que teriam causado o internamento do doente!! O pior é que nós tinhamos perguntado aqueles sintomas e o doente os tinha negado! Estou no 5º ano e assusta-me imenso que este tipo de coisas aconteçam. Afinal o que estava diferente era a parte mais importante da história clínica, a história da doença actual, que consiste naquilo que trouxe o doente ao hospital e que serve de base principal para fazer as hipóteses de diagnóstico. E se nesta altura o mais importante para a nossa aprendizagem é mesmo o colocar e discutir as hipotéses diagnósticas, como o poderemos fazer com histórias diferentes da real?

Acredito que não foi erro da colheita da história, afinal já temos bastante prática neste campo, já conseguimos caracterizar bem os sintomas e às vezes até pecamos por excesso de pormenores! A principal razão é provavelmente que os doentes valorizam queixas que não são afinal os principais sintomas e desvalorizam os mais importantes. Não quero com isto que todos os doentes estudem Medicina e tenham quadros clínicos "de livro", nem que venham com self-diagnosis, feitos na internet. Por outro lado, também não quero que os doentes sejam hipocondríacos e super-valorizem todas as suas queixas - nessa situação nenhum médico ou estudante se consegue orientar. O que eu queria mesmo era um meio-termo - porque é que é sempre tão difícil atingi-lo?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ossos do ofício

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E usar o messenger para discutir histórias clínicas!